A primeira sopa da Joana teve lugar no dia em que ela completou 5 meses.
Assim, dez dias após a introdução da primeira papa, a bolotinha comeu a sua primeira sopa à hora do almoço e o resultado foi muito positivo. Felizmente, a Joana não sai aos pais, que eram uns “piscos” para comer :-)
De acordo com a pediatra, a primeira sopa, a chamada “sopa-base”, é constituída por água (mais ou menos 2 conchas pequenas de água), batata, cenoura, cebola e um fio de azeite (e nada de sal!).Relativamente à batata, podemos substitui-la por batata-doce se a criança tiver dificuldade em se adaptar ao sabor da sopa.
Assim, na quarta-feira passada, a avó preparou a primeira sopinha da bolotinha, num pequeno tacho. Refiro aqui que o tacho deverá ser em inox ou esmalte. O ideal é utilizarmos uma panela de vapor, que permite uma melhor manutenção de todos os nutrientes dos alimentos (este fim-de-semana vou comprar uma porque vale a pena o investimento).
Eis como a “sopa-base” da Joana foi feita: enquanto pomos ao lume o tacho com a água, vamos partindo em cubos uma batata média e uma cebola pequena. Pegamos uma cenoura e cortamo-la às rodelas (não muito grossas). Estando a água a ferver, colocamos a batata, a cebola e a cenoura e juntamos um fio de azeite. Eu utilizo sempre o azeite virgem extra que é o que dispõe do grau de acidez mais baixo. De facto, a acidez, dentro do mesmo tipo de azeite, deve ser a mais baixa possível. Em termos comparativos, se o azeite virgem extra dispõe de um grau de acidez máximo de 0,8%, o azeite virgem tem um uma acidez máxima é de 2% e o azeite convencional 1%.
Refira-se também que a água não deve ser em demasia, cobrindo apenas a batata, a cebola e a cenoura.
Deixamos cozinhar em lume brando durante 15 a 20 minutos.
Posteriormente, colocamos o preparado num copo liquidificador e, com uma varinha, reduzimos tudo a puré.
E eis a primeira sopa da Joana, feita pela avó:

O grande momento, registado pela mãe:

E ontem, uma vez que os meus pais foram passar o fim-de-semana ao Porto, preparei eu a sopa da Joana.
A batata cortada aos cubos:

A cebola cortada às meias-luas pequenas:

A cenoura cortada às rodelas:

O resultado final:

E o que sobrou...:

Amanhã, isto é, quatro dias após a primeira sopa, vamos adicionando progressivamente um dos seguintes alimentos: alface, feijão-verde, alho francês, aipo, nabiça, abóbora e alho.
De acordo com a pediatra da Joana, a introdução de novos alimentos deverá ser faseada, com intervalos de 4 dias (por forma a despistar eventuais alergias), sendo que deveremos oferecer um alimento novo de cada vez à base da primeira sopa. Assim, a sopa não deve conter mais de quatro legumes diferentes:
* 2 a 3 de cor verde (alface, feijão-verde, etc);
* 2 a 3 de outra cor (cenoura ou abóbora, cebola, alho francês, batata ou batata-doce, etc).
Não é raro acontecer que a cenoura, quando utilizada durante mais de 4 dias, provoque alguma obstipação no bebé. Assim, poderemos substituir a cenoura por abóbora e ir variando sempre.
Quinze dias após o puré de legumes, vamos cozinhar a sopa de legumes com a carne, que retiramos no final da cozedura. Neste caso, não deveremos adicionar azeite pois a carne já contém gordura.Quatro dias volvidos, oferecemos a carne ao bebé, seguindo os passos abaixo:
* Cozinhar a carne e a sopa de legumes separadamente;
* Depois dos legumes estarem cozidos, retirar duas conchas e juntar a esta porção 20 grs de carne cozida;
* Triturar a mistura até obter uma sopa homogénea;
* Juntar um fio de azeite (pois a sopa não tem a gordura da cozedura da carne).
E que carnes poderemos nós utilizar? Frango, peru, borrego ou vitela (coelho e avestruz apenas a partir dos 9 meses e carne de porco apenas a partir do segundo ano de vida e sempre bem passada).
A cada 5/7 dias, poderemos trocar 2 a 3 legumes da listagem acima por legumes novos.
A partir dos 6 meses, poderemos introduzir os seguintes legumes: espinafres, agriões, chuchus e beterraba.
A partir dos 8/9 meses, a couve-portuguesa, a couve-flor e o nabo (é natural que estes legumes causem alguma flatulência) e, a partir do primeiro ano de vida, ervilhas, feijão, grão e tomate.
Assim sendo, e neste momento, a bolotinha está a fazer ao almoço uma sopa e, ao jantar, depois do banhinho, uma papa, sendo as demais refeições lácteas.
Resumindo e concluindo o plano de diversificação alimentar, de acordo com o folheto facultado pela pediatra da Joana (folheto esse elaborado pelo Centro da Criança do HCD):
4 meses
- Substituir uma refeição de leite por uma refeição de papa sem glutén.
4 meses e meio
- Uma papa sem glutén;
- Uma sopa de legumes;
- Restantes refeições de leite.
5 meses
- Introdução da carne;
- Uma sopa de legumes com carne;
- Uma papa sem glutén;
- Restantes refeições de leite.
6 meses
- Introdução da fruta.
- Uma sopa de legumes com carne + fruta;
- Uma papa com glutén;
- Restantes refeições de leite.
Alguns tópicos adicionais sobre a fruta:
- A fruta deve ser fresca, madura, dada crua e ralada;
- Podemos começar pela banana, pêra ou maçã;
- Podemos oferecer a fruta como sobremesa no final da sopa ou, apenas a partir dos 8 meses, acrescentada a um iogurte;
- Não dar laranja ou pêssego antes dos 11/12 meses e não dar kiwi ou morangos antes dos 18 meses;
- Antes do primeiro ano de vida, podemos variar a fruta com melão, uva, ameixa, melancia, consoante a época do ano. Entre os frutos tropicais, a papaia é muito nutritiva e um fruto a recorrer caso o bebé sofra de obstipação, podendo ser introduzida logo pelos 6 meses.
8 meses
- Introdução do iogurte (que deverá ser natural. Importa não adicionarmos açúcar ou mel), em substituição de uma refeição de leite. Como o sabor do iogurte natural pode desagradar ao bebé, podemos misturar fruta natural. Refira-se que os iogurtes com sabores devem ser introduzidos mais perto do primeiro ano de vida e os famosos “suissinhos” apenas no segundo ano de vida;
- Duas sopas + fruta;
- Uma papa com glutén;
- Um iogurte;
- Restantes refeições de leite.
9 meses
- Introdução do peixe (pescada, linguado, solha, dourada, robalo, tamboril, besugo, etc);
- Uma sopa de legumes com carne;
- Uma sopa de legumes com peixe;
- Fruta, iogurte e leite.
10-11 meses
-Introdução da gema cozida misturada na sopa. Começamos por introduzir meia gema, não dando mais do que duas vezes por semana;
- Depois dos 12 meses já poderemos dar o ovo inteiro.
Gostaria de acrescentar a este resumo alguns tópicos adicionais que penso serem pertinentes:
- Oferecer água à criança durante e após a refeição;
- Os legumes deverão ser sempre frescos;
- A tábua de corte não deve ser em madeira e deve ser bem lavada;
- Na preparação dos alimentos, evitar as poeiras (tais como janelas abertas) e a presença de animais domésticos na cozinha, bem como moscas e insectos;
- Os alimentos não deverão ser guardados em recipientes feitos em cobre, alumínio, ferro, loiça decorada, plásticos com cor ou esmalte estalado;
- Podemos congelar a sopa. O ideal é prepararmos uma sopa todos os dias mas por vezes o dia-a-dia não nos permite esta disponibilidade. Assim, podemos preparar uma sopa para duas refeições e congelar a sopa que iremos dar no dia seguinte ao bebé. A congelação deverá ainda ser iniciada antes dos alimentos arrefecerem por completo por forma a evitar o desenvolvimento de bactérias;
- De acordo com o livro “1, 2, 3 uma colher de cada vez”, a descongelação deve ser feita de modo apropriado para cada tipo de alimento. Assim, “a forma mais adequada e, principalmente para peças grandes de peixe e carne, é retirá-las do congelador e deixar algumas horas no frigorífico de modo a que a descongelação resulte lenta e adequada. Não deve descongelar alimentos dentro de água, muito menos com água quente. “;
- A temperatura do frigorífico deve ser, no máximo, de 4ªC. Importa limparmos o frigorífico profundamente todos os meses.
E, ao longo de todas estas etapas, dar-vos-ei conta dos paladares da bolotinha, bem como de toda a informação que puder partilhar com vocês.